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Souzenelle Gen I-2

Annick de Souzenelle — Alliance de feu : Tome 1, Une lecture chrétienne du texte hébreu de la Genèse


''A terra é forma e vazia”

Neste segundo versículo revelado em três tempos, a mensagem divina precisa o conteúdo do primeiro. Notemos bem seu equilíbrio: começa pela «terra» e termina pelas «águas», inversamente ao que acaba de ser descrito, que começa por Shamayin, o úmido, para terminar pelo seco-terra, Erets.

O verbo empregado está no perfeito, que dizer na forma de algo cumprido. Não é um passado no sentido histórico; é antecipação em um presente. O presente, instante inalcançável, não existe senão em hebreu. Se existisse, ao nível do verbo Ser, seria YHWH, o Nome.

O presente é algo cumprido, logo participando da eternidade (Aleph). Participando do Aleph participa do Yod, que está inscrito no tempo. O Yod não ainda cumprido resplandece em dois He segundo o modelo absoluto YHWH. «a terra é...» exprime perfeitamente a ação de participação no Aleph que imediatamente remete ao Yod, o qual resplandece nos dois He dos quais um já é quase Tohou e cujo outro vai nos ser revelado Bohou.

“Informe e vazia” dizem as traduções que projetam uma ideia de caos para um começo histórico da terra.

Mas o sentido é mais profundo.

Este dois termos Tohou e Bohou são inseparáveis: eles são a personalização de cada uma das duas letras Taw e Beit que o sopro He de cada uma anima, tal aquele dos dois pulmões do arquétipo YHWH quando, com a tradição mística judaica, damos ao NOME sua “forma” de Espada.

Estas duas letras B e T formam o nome hebreu da “jovem” (Bat) da qual sabemos que é prenhe do Yod.

O Tohou WaBohou é portanto este resplendor do Yod no seio da criação Beit.

O Taw (já encontrado no coração do verbo ser na forma de cumprimento) é o “signo”, signo da encarnação pois sua origem é o signo da cruz, ponto de encontro do transcendente e do imanente do Aleph e do Yod. O Tohou dá portanto corpo à completude; dá forma a Erets, o seco que, em sua emergência à luz, é a parte masculina da “jovem” (a criação, cada ser humano) em relação aos Shamayim incompletos e logo fêmeas que permanecem ainda nas trevas.

Mas toda completude da criação-jovem constitui o corpo da esposa de Elohim.

É assim que ela se torna macho em relação a ela mesma, assim que ela põe no mundo um “filho” interior novo, que a jovem se constrói enquanto esposa de Elohim.

A jovem completada, macho (Tohou) em relação a ela mesma, é feminina (Bohou) em relação a Elohim.

Ela por conseguinte tanto mais “vazia” do Esposo quanto um real movimento de contração se efetuou, espécie de “coagulação” das águas se secando, que o terceiro dia nos revelará; o espaço no vazio da esposa chama as Águas-do-Alto.

Serão elas, estas Águas, aquelas do “Mar das Luzes” que virão penetrar a terra “forma e vazio”, realizado em baixo, e sedento do Esposo do Alto, e que a fertilizará.

A verdura e as árvores do terceiro dia serão os frutos das primícias do encontro da esposa e do Esposo.

O último fruto, aquele da terra totalmente completada será YHWH. Ele abrirá o santuário das bodas do Esposo — Elohim e da Esposa — Adão advindo.